As estatísticas são sombrias e alguns chegam a afirmar que em média 60% dos jovens evangélicos que adentram a universidade se afastam da comunhão da igreja.

O cristão, como “sal da terra” e “luz do mundo”, precisa fazer-se presente em todos os lugares onde se faça necessário o seu testemunho como servo de Deus. A universidade tem sido lugar de desafio para muitos que, não sabendo ali entrar como verdadeiros cristãos, saem de lá derrotados em sua vida espiritual. Contudo, com base na Palavra de Deus, no exemplo de muitos homens e mulheres crentes em Jesus, cremos que é possível viver na universidade sem perder a identidade cristã. Quando falamos em um jovem cristão ir para a universidade, logo nos atentamos para que ele não seja influenciado por ensinos anti-bíblicos e não se desviem do caminho de Deus. Há jovens que são até orientados a se dedicarem apenas às “coisas de Deus” e não darem prosseguimento aos estudos, mas, na verdade, o Senhor quer que sejamos “luz e sal da terra” (Mt 5.13-16).

I - A UNIVERSIDADE NA BÍBLIA

Pode parecer sem sentido falar-se em universidade na Bíblia. Mas, no nosso entender, há referências que indicam a existência de pessoas que tinham estudos de nível superior para sua época, mesmo que não houvessem instituições formais de ensino universitário nos moldes que a conhecemos.

1.1. Moisés. O líder do êxodo “foi instruído em toda a ciência dos egípcios, era poderoso em palavras e obras” (At 7.22). Certamente, Moisés tinha obtido instrução de nível superior no Egito, conhecendo as letras, as artes, as ciências agrárias, a astronomia, a matemática e tudo o que era necessário para uma pessoa que, segundo historiadores, poderia ter sido ocupante do trono egípcio, como “filho da filha de Faraó” (Hb 11.24).

1.2. Os jovens hebreus. Daniel, Hananias, Misael e Azarias, levados à Babilônia, foram selecionados criteriosamente em um verdadeiro “vestibular” (Dn 1.4). Após passarem pela prova de sua fé, não se contaminando com o manjar do rei, os moços hebreus receberam de Deus “conhecimento e inteligência em toda a cultura e sabedoria” (Dn 1.17). Mesmo admitindo a mão de Deus na vida daqueles servos do Senhor, vemos que eles receberam instrução Superior dos céus e também da “universidade da Babilônia” e souberam manter-se fiéis, mesmo que fossem lançados no fogo ou na cova dos leões. 

1.3. Jesus entre os doutores de Israel. O adolescente Jesus, aos 12 anos de idade, teve a oportunidade singular de, com a sabedoria divina, confundir os doutores e sábios de Israel (Lc 2.46-47). Os doutores de Israel eram, sem dúvida, pessoas de nível “universitário” para a sua época. O menino Jesus os sobrepujou em tudo, pois crescia “em sabedoria, em estatura e em graça para com Deus e os homens” (Lc 2.52).

1.4 O apóstolo Paulo. Devemos, também, considerar a ascendência “universitária” judaica de Paulo (Fp 3.5). Na escola da sinagoga o menino começava a ler as Escrituras com apenas cinco anos de idade, aos dez anos, estaria estudando a Mishna com suas interpretações emaranhadas da Lei. Assim, ele se aprofundou na história, nos costumes, nas Escrituras e na língua do seu povo (falava hebraico, grego, aramaico e latim). Saulo de Tarso passou em Jerusalém sua virilidade “aos pés de Gamaliel”, onde foi instruído “segundo a exatidão da lei...” (At 22.3). Gamaliel era neto de Hillel, um dos maiores rabinos judeus.

II - O ADOLESCENTE CRISTÃO E A UNIVERSIDADE

Para muitos jovens o primeiro contato com a universidade é conflituoso e um dos grandes sonhos quando somos jovens é passar no vestibular. É muito comum, em cursos de graduação, mestrado ou doutorado alunos cristãos ouvirem gracejos, ironias, comentários preconceituosos a respeito do cristianismo e verberações contra Deus. Alguns universitários cristãos, diante das perseguições, costumam reagir, às vezes de modo hostil. Por isso devemos estar prontos para defender nossa fé (1Pd 3.15). Vejamos alguns conselhos:

2.1 Não se indispor com os professores ou colegas. Conscientize-se de que você ingressou na vida acadêmica, sobretudo, para aprender o que é ensinado, edificando sobre o inabalável fundamento da fé cristã (1Co 3.10-15). Devemos Lembrar que o apóstolo Paulo, conquanto tenha tido contato com muitos filósofos, ao passar por importantes centros do saber, como Atenas (de Platão, dos epicureus, estóicos etc.) e Mileto (berço da filosofia pré-socrática), manteve a serenidade e não se deixou influenciar por eles (At 17-20).

2.2 Procurar apreender o que é bom. Muitos educadores, a despeito de serem ateus ou agnósticos, são grandes mestres, com os quais podemos aprender valiosas lições. Ao estudar as principais ciências, eles que são homens naturais, sem a iluminação do Espírito (1Co 2.14-16) passam a considerar a fé cristã e a Bíblia como seus inimigos. E se sentem no dever de negar veementemente qualquer possibilidade da união entre fé e ciência (2Co 4.4).

2.3 Levar em consideração que os professores não respeitam a cosmovisão bíblica. Eles estão presos à sua ideologia; não devemos vê-los como inimigos, mas ore por eles (Mt 5.43,44). Boa parte dos professores de Direito, Ciência Política, Filosofia, Sociologia, Antropologia, Psicologia, História, Linguística, Teoria da Literatura e disciplinas afins emprega ferramentas epistemológicas e metodológicas contrárias à Palavra de Deus. Eles têm como fonte o conhecimento, além da sua própria razão, os filósofos, sociólogos etc.; e não a Bíblia, e as ciências derivadas dela.

2.4 Expor sem medo as suas convicções se tiver oportunidade. Não devemos ter medo de falar da Palavra de Deus; estejamos preparado; demonstremos nossos conhecimentos segundo a graça do Senhor; e lembremo-nos do que disse o Senhor aos seus discípulos: “não vos dê cuidado como ou o que haveis de falar, porque, naquela mesma hora, vos será ministrado o que haveis de dizer” (Mt 10.39). Os jovens têm a missão de serem transformadores de uma sociedade corrompida, portanto, não devem se alienar a ela (Rn 12.2; Fl 2.15).

III - O ADOLESCENTE CRISTÃO E SEU TESTEMUNHO NO MUNDO ACADÊMICO

O Servo de Deus, e em especial o adolescente e jovem cristão, precisa saber viver em qualquer lugar ou ambiente, e dar testemunho eloquente da sua fé em Jesus Cristo, mesmo que esteja sozinho, longe do pastor, dos pais ou dos irmãos em Cristo. Muitos, mesmo tendo nascido num lar cristão, só conseguem manter-se firmes enquanto são crianças levadas à Igreja pelos pais. Quando se tornam adolescentes, já começam a se sentir inseguros e chegam a desviar-se, quando se tornam jovens. É preciso saber conduzir-se em qualquer lugar, diante de quem quer que seja, sem envergonhar-se do maravilhoso nome de Jesus. Meditaremos em alguns aspectos que precisam ser considerados nesse assunto.

3.1 Tomar posição na identificação com Cristo. Como salvo nascido de novo (Jo 3.33-5); regenerado em nova maneira de viver (2Co 5.17); em nova maneira de pensar (Rm 12.2); temos que preservar a posição de crente. Daniel e seus companheiros, no meio de muitos estranhos, num palácio real, não negou sua fé nem a seu Deus (Dn 1.8; 3.1-26). O adolescente cristão deve guardar a fé (1Tm 6.20; 2Tm 4.7) para combater o bom combate durante os quatro ou mais anos de estudos intensos, pois, isso é o primeiro passo para nunca se desviar.

3.2 Tomar posição como servos do Senhor. Somos discípulos de Jesus, e o discípulo de Jesus tem características especiais (Jo 13.34,35). Daniel é um modelo de fidelidade, integridade e de oração para os jovens: “Deus lhes deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras e sabedoria...” (Dn 1.17), como também foram outros jovens na história bíblica como Samuel (1Sm 3.1-11), José (Gn 39.2), Davi (1Sm 16.12),Timóteo (2Tm 3.15). 

3.3 Tomar posição no testemunho. Como luz do mundo devemos ter testemunho a fim de sermos visto pelos homens (Mt 5.14-16). É o testemunho em posição elevada, nós temos a luz da vida (Jo 8.12).

3.4 Tomar posição de falar de Cristo sempre que tiver oportunidade (At 4.18-20). Falar a tempo e fora de tempo (com sabedoria). É preciso ter sabedoria no falar, não lançar pérolas aos porcos (Mt 7.6); não perder tempo com o herege (Tt 3.10); estar preparado para responder com mansidão (1Pe 3.l5). Há cristãos que não gostam de falar de Cristo, pois, êm vergonha (Lc 9.26; Jd 3).

IV – A VIDA CRISTÃ NA UNIVERSIDADE

Mas será que fé e educação são coisas contraditórias? Por que muitos adolescentes e jovens entram em crise espiritual quando entram nas universidades? Para ilustrar a importância do testemunho cristão, o Senhor Jesus utilizou-se de dois elementos comuns aos ouvintes: o sal e a luz. “A ilustração do sal fala do nosso caráter (aquilo qu é interno); a luz fala do nosso testemunho (aquilo que é externo)”. Observe que Cristo falou primeiro do sal da terra e depois da luz do mundo, assim o caráter precede o testemunho. Vejamos algumas lições práticas que podemos extrair desses dois elementos na nossa vida acadêmica:

4.1 O adolescente cristão como sal da terra (Mt 5.13). Trata-se do testemunho real, positivo, que não se vê a princípio, mas se sente. É o testemunho silencioso com a vida, com os gestos e as atitudes no dia a dia, na convivência com as demais pessoas. É muito eficaz no ambiente universitário. Ele se torna mais poderoso ainda, quando o jovem cristão leva a sério a vida de oração pelos colegas, pelos professores, dirigentes (Tg 5.16).

4.2 O adolescente cristão como luz do mundo (Mt 5.14). É o testemunho para ser visto mesmo, dado de modo eloquente, que não pode ser ocultado, através da pregação, do testemunho falado, da conversa com os colegas e professores. Muitas vezes, o adolescente cristão é desafiado, e tem que se pronunciar, em classe, rebatendo ensinos heréticos, dados por professores materialistas, isso é a luz brilhando nas trevas (Ec 11.9-10). A universidade da Babilônia queria tirar a convicção de Deus da mente de Daniel e de seus amigos e implantar neles novas convicções, novas crenças, novos valores, por isso mudaram seus nomes. A Babilônia mudou os nomes deles, porém, não mudou seus corações. Daniel e seus amigos não permitiram que o ambiente, as circunstâncias e as pressões externas ditassem sua conduta. 

V - COMO SAIR-SE BEM NA UNIVERSIDADE

Dentro deste estado laico em que vivemos, cada vez mais as universidades se limitam à mera transmissão dos conhecimentos, relegando ou criticando tudo aquilo que se refere à religião e à fé. Consequentemente, para muitos adolescentes e jovens, os anos de estudo na academia são fortes períodos de tentações em relegar a fé a um terceiro plano ou até ao total abandono. Notemos o que fazer para permanecermos fiéis ao Senhor:

5.1 Não se descuidar da oração. Ela (a oração) é a “arma secreta” do cristão. Todos os que foram vitoriosos, na Bíblia e na história, foram homens e mulheres de oração (Mt 7.7-11; Lc 11.5-13; 18.1-8). O apóstolo Paulo diz: “Orai sem cessar”  (I Ts 5.17); “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança...” (Ef 6.18).

5.2 Ser cheio do Espírito Santo. De que adianta ao adolescente ser um bacharel em tantas áreas do conhecimento humano se ele ainda é um analfabeto em termos de fé? De que adianta ao adolescente ter tantos conhecimentos sobre a história e a evolução do ser humano se ele ainda não aprendeu o valor de ser cheio do Espírito Santo sendo testemunha de poder (At 1.8), possuindo os Dons do Espírito (1Co 12), e tendo o Fruto do Espírito (Gl 5.22,23).

5.3 Não se descuidar da leitura da Bíblia. Lendo a Bíblia e orando, o cristão cresce: “...na graça e no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo” (2Pe 3.18) “... e sabe responder a cada um que lhe pedir a razão de sua fé” (1Pe 1.21). O jovem Timóteo foi exortado pelo apóstolo Paulo a se portar “como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da Verdade” (2Tm 2.15).

5.4 Não se ocultar como crente em Jesus. Ter sabedoria para ser “luz do mundo” ao mesmo tempo que é “sal da terra”: Levar literaturas para distribuir na ocasião propícia; evitar conturbar as aulas com nossas convicções, mas falar se for necessário. Nos intervalos de aula falar aos colegas isoladamente ou em grupo sobre o amor de Deus, a Salvação, sobre Jesus, mas com prudência e sem se exceder. Dizer aos colegas o que Deus tem feito em nossa vida e convidar os colegas e professores  para irem à igreja para que possam ouvir a Palavra de Deus (1Jo 2.14).

5.5 Não se irritar se for criticado (1Pe 3.l5). Uma das armas do inimigo é provocar o cristão, para que ele se irrite e perca a ocasião de demonstrar sua fé, seu amor e humildade diante dos descrentes. Procurar não só estudar a Bíblia, mas conhecer os falsos ensinos religiosos que se contrapõem à Palavra de Deus. É importante ser assíduo, estudioso, dedicado e honesto nos estudos ou no trabalho para que: “vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16).

CONCLUSÃO

Ao ingressar em uma Universidade e nos anos que se seguem, os jovens não podem e não devem descuidar da vida espiritual, alegando que as inúmeras disciplinas preenchem todas as horas do seu dia, pois se na Universidade os jovens são mais questionados sobre as razões da fé, maior deve ser o tempo dedicado ao estudo da doutrina e das verdades cristãs. Devemos ter cuidado pois, a universidade é um lugar de debates, de pluralidade de ideias que convergem para o ser humano. Mas, muitas vezes, as Universidades relegam a religiosidade e a vida espiritual a uma mera superficialidade, não reconhecendo o ser de Deus e conduzindo estratégias acadêmicas que conduzem ao desprezo da fé e de tudo aquilo que se refere à religião

REFERÊNCIAS

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STOTT, John. Por que sou cristão. Viçosa, MG: Editora Ultimato.

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