Quando vamos ao templo temos como objetivo principal a adoração, louvor e glorificação ao Senhor.  Infelizmente, muitos vão ao culto, cantam e até oram, mas não adoram ao Senhor verdadeiramente, pois o seu coração acha-se distante de sua presença (Is 29.13).

Devemos estar no culto com toda a nossa atenção voltada para o Senhor. A nossa atenção geralmente está presa à importância que damos às coisas e por isso valorizamos. O fato de muitos estarem desatentos na igreja é um sinal que não valorizam a Deus (At 10.33). Consideramos a presença de Deus em nossos cultos? Estamos conscientes que estamos diante de Deus? Às vezes a presença do convidado principal da noite é ignorada. Em muitas ocasiões, participamos dos cultos apenas "de corpo presente". 

I – DEFINIÇÃO DAS PALAVRAS REVERÊNCIA E ADORAÇÃO

Quando vamos ao templo temos como objetivo principal a adoração, louvor e glorificação ao Senhor. A igreja não é local para se fazer negociações, mastigar chicletes, balas, etc e ficar brincando. O profeta reconheceu suas imperfeições de caráter, e elas se tornaram mais evidentes, diante da contemplação de um Deus santo (Is 6.1-5). Quando estamos na presença de um Deus Santo, nós, pecadores, devemos temer e tremer (Lc 5.8; Jó 42.5,6; 1Sm 6.20; Mt 17.6).

1.1 Definição de Reverência. O dicionário Aurélio define reverência como: “respeito marcado pelo amor as coisas sagradas” (FERREIRA, 2004, p. 1755). Existem pessoas que ficam fora do templo conversando, em vez de cultuarem a Deus. Há pessoas que vão ao bebedouro ou banheiro sem uma real necessidade inúmeras vezes durante o momento do culto e ficam transitando dentro da Igreja atrapalhando. Existem pessoas que não tem respeito as autoridades espirituais constituídas por Deus sobre a Igreja (Ec 5.1), e não obedecem aos obreiros quando estes pedem que entrem para o templo.  Devemos ser reverentes diante de Deus porque somos criaturas e Ele é o Criador (Sl 33.6-9; 96.4,5; Jo 1.9). 

1.2 Definição de Adoração. O dicionário Aurélio define adoração como: “Ato de adorar, reverência, veneração a uma divindade” (FERREIRA, 2004, p. 54). A palavra hebraica “sâhâ” e a grega “proskyneo” enfatizam o ato de “prostração e reverência” (ANDRADE, 2006, p. 33). O termo “proskyneo”, originalmente significava "beijar". Entre os gregos era um termo técnico que significava "adorar os deuses", dobrando os joelhos ou prostrando-se e colocar-se nessa posição comunicava a ideia básica de submissão.  O gesto de curvar-se diante de uma pessoa e ir até o ponto de beijar seus pés, quer dizer: “Reconheço a minha inferioridade e a sua superioridade; coloco-me à sua inteira disposição” (SHEDD, 1991, p. 17).

1.3 Definição de Culto. Do Latim “cultus”, significa: “veneração, admiração, tributação voluntária de louvores e honra ao criador”. Homenagem, de caráter religioso, ao que se considera divino ou sagrado (ANDRADE, 2006, p. 127).

II - ADORAÇÃO E REVERÊNCIA NO CULTO

A principal característica da essência de Deus é a sua santidade (Hb 3.3), pois a santidade é o atributo de Deus, enquanto separado e elevado acima de tudo o que é criado (Is 40.25).  A casa de Deus é santa (Sl 93.5); o  lugar onde Deus está se torna santo (Êx 3.5; Js 5.15). Muitos estão agindo como Jacó, ignorando a presença divina onde estão (Gn 28.16,17). Sempre que formos ao culto na congregação, devemos imaginar a grandeza e a majestade de Deus, e com certeza a nossa adoração será diferente. Quando mostramos reverência, o inimigo é envergonhado (Tt 2.7,8); mas quando não, envergonhamos a igreja (1Co 11.22; 1Co 14.40).

2.1 O verdadeiro culto com reverência. Será que realmente cultuamos a Deus como a Bíblia o requer. Qual deve ser nosso comportamento na Casa de Deus?  (Êx 3.5; Ec 5.1; Hc 2.20). O próprio significado da palavra “culto” já sugere, em si mesmo, o ato de adoração que, por sua vez, implica na reverência que todos devemos prestar ao Todo-Poderoso (Sl 29.2). Cultuar a Deus significa adorá-lo, exaltá-lo, prestar-lhe a devida reverência com todo temor e tremor (Sl 96.9). Infelizmente, muitos vão ao culto, cantam e até oram, mas não adoram ao Senhor verdadeiramente, pois o seu coração acha-se distante de sua presença (Is 29.13). O culto para tais pessoas é apenas um ponto de encontro na igreja, um momento de interatividade social, de conversa e as vezes até momento de mastigar chicletes e usar o Smartphones e Tablets. Deus se compraz naqueles que o buscam com um coração puro e sincero, e alegra-se naqueles que o adoram “em espírito e em verdade” (Sl 15.1-5; Jr 29.13; Jo 4.23,24). Há muitos que, desprezando a soberania divina, passam o culto inteiro brincando e conversando, e isso é falta de reverência e temor diante daquele a quem devemos adorar (Ap 4.10,11).

2.2 O verdadeiro culto com adoração. O ato de adorar a Deus constrange-nos a submeter-nos incondicionalmente à sua vontade (Mt 6.10) e a nos humilharmos até ao pó diante de sua presença (Gn 18.27). A mulher pecadora, que ungiu a Jesus com fino unguento, “beijava-lhe os pés” em santa adoração (Lc 7.38). Se adorar é um ato de rendição, gratidão, exaltação e respeito ao Deus que nos criou (Sl 95.6), cheguemo-nos, pois, diante do Todo-Poderoso com temor e tremor, reconhecendo-lhe o senhorio sobre nossas vidas (Sl 2.11). Os judeus dos tempos de Isaías e Miqueias não sabiam fazer tal distinção, por isso o Senhor repreendeu-os energicamente (Is 1.11-17; Mq 6.3-8). A vida do crente deve ser um contínuo ato de adoração e louvor a Deus (Sl 146.1,2; Ec 5.2).

III - COMPOSIÇÃO DO CULTO BÍBLICO

O livro de Eclesiastes demonstra como agirmos no culto com clareza (Ec 5.1), pois Deus não se interessa na observância do sacrifício em si, e sim na obediência aos princípios que regulamentam a sua prática. Foi exatamente isso que o profeta Samuel ensinou a Saul (1Sm 15.22). Vivemos em um tempo que as pessoas procuram lazer, entretenimento e irreverência para se distrair. Mas quanto ao culto, até que ponto pode ser descontraído? O culto deve ser espontâneo e alegre sem perder o respeito que lhe é devido. Quando se comparece diante de uma autoridade, se preocupa em como se comportar, não se atrasando, vestindo-se adequadamente, escolhendo palavras e cuidando do tom de voz. Será que diante do Rei dos reis não deveríamos ter ainda maior respeito? A Bíblia nos ordena que sirvamos ao Senhor em reverência (Hb 12.18-29; At 9.31). Vejamos, a seguirmos elementos que, de acordo com  a palavra devem compor o verdadeiro culto cristão:

3.1 Leitura da Palavra. No AT a leitura e a dissertação das Sagradas Escrituras tinham um sentido especial no serviço de adoração a Deus (Ed 8.1-12). Na Igreja Primitiva, quando o NT ainda não havia sido escrito, os crentes utilizavam as Escrituras do Antigo Testamento em suas reuniões (At 2.42; 17.11). Por conseguinte, o verdadeiro culto de adoração a Deus não pode ficar sem o ensino ou a pregação bíblica. O culto sem a leitura e a explanação das Sagradas Escrituras é incompleto. A leitura da Bíblia é indispensável em um culto cristão e deve ser um momento de profunda reverência e respeito, onde os verdadeiros adoradores deverão acompanhar a leitura do texto. A leitura bíblica é como uma chave que abre as nossas mentes e prepara o nosso coração e nosso espírito para adorar a Deus (Nm 24.7; Dt 31.26; Ne 8.8; 9.3; Js 8.34,35; 2Cr 34.14-21; Lc 4.14-21; At 17.11).

3.2 Pregação. A pregação é a parte central do culto cristão, pois sem ela o culto fica sem brilho e objetivo, pois é através dela que a fé é gerada (Rm 10:14-17; Gl 3:2). É a vontade de Deus, que todos se arrependam e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (Ez 18:23; At 17:30; I Tm 2:4). A pregação não pode ser desprezada pois ela faz parte integral do culto. Ela não é matéria para ser apenas descrita ou comentada, mas deve ser explicada (Ne 8.3, 7- 8, 12). Deus fala, o homem se cala, medita e responde. Com a pregação fiel e revestida de autoridade da Palavra, Deus é honrado e glorificado, os descrentes são desafiados, os crentes são edificados e a igreja é fortalecida. 

3.3 Oração. “A minha casa será chamada Casa de Oração” (Mt 21.13). Uma das coisas mais importante num culto também é a oração. A oração invoca a presença de Deus no culto e leva as pessoas se sentirem perto de Deus. O propósito do culto é falar com Deus e ouvir sua voz. Quando outras atividades como brincadeiras e piadinhas começam a ocupar o tempo do culto, em detrimento ao tempo necessário de oração, o culto começa a perder seu propósito. A oração é atividade básica da igreja (Mt 21.13).

3.4 Concentração e silêncio. “O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Hc 2.20). Outra coisa importante no culto é o silêncio, pois ficar conversando com quem está ao lado é uma das piores atitudes de um adorador. A palavra de Deus diz que há: “tempo de estar calado e tempo de falar” (Ec 3.7). Durante o culto é desnecessário conversar com qualquer outra pessoa se não Aquele a quem estamos orando que é Deus. O único barulho deve ser de glórias e aleluias a Deus. Evitemos conversas durante o culto, desliguemos o celular ou qualquer outro meio de comunicação. Para melhor aproveitamento do culto é preciso que todos estejam atentos num foco para a mensagem. Cada um deve esquecer um pouco as coisas que estão lá fora para sentir a presença de Deus. O ambiente da Igreja deve ser tal que evitemos distrações, assim a presença de Deus deve preencher totalmente nossa atenção. É imprescindível que haja um clima de adoração.

3.5 Reflexão. “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1). Além da oração, do silêncio e da concentração também é importante a reflexão durante o culto. Quando vamos ao culto, devemos aprender alguma coisa útil para a vida. Muitas pessoas não conseguem lembrar o que o pregador falou mesmo após o culto. Isso é porque deixam sua mente adormecer durante a mensagem. Se os crentes, ao entrarem na casa de oração, o fizessem com a devida reverência, lembrando-se de que se acham ali na presença do Senhor, seu silêncio redundaria num testemunho eloquente. Os cochichos, risos e conversas desnecessárias, que se poderiam admitir em qualquer outro lugar, não devem existir na casa em que Deus é adorado.

3.6 Cânticos na adoração. Uma das formas mais expressivas da adoração cristã é manifestada através de hinos e cânticos (Ef 5.18-21). Infelizmente, essa área da liturgia cristã muito tem sofrido com a proliferação de músicas que, sublimando o homem, minimizam o Senhor. Por outro lado, glorificamos a Deus porque nosso hinário oficial, a Harpa Cristã, tem como o seu primeiro compromisso exaltar o Senhor além de cantar as doutrinas da Bíblia Sagrada. A palavra “louvor” deriva-se do latim “laudare” e significa: “Serviço de adoração prestado voluntariamente a Deus”. Em sua essência, louvar significa também: “voluntariedade de espírito em adorar e servir ao Supremo Deus. O louvor brota do coração que sente gratidão, ação de graças ou admiração (Nm 10:1-10; Jz 7:22; Jó 38:7; Ef. 5:19; 1Tm 3:16; At 16:25).

IV - O ADOLESCENTE CRISTÃO E A ADORAÇÃO

A essência da adoração é quando nosso coração e alma e todo o nosso ser estão ligados e adoram a Deus. Adorar é um ato de rendição a Deus (Sl 95.6; 2Cr 29.30); é reverenciá-lo com sinceridade e dedicação (Hb 12.28,29); é uma experiência interior (Sl 95.6,7). Adorar a Deus é estar unido a Cristo (Lc 22.14-20; Jo 15.1-10); é um ato de obediência do coração; é  uma resposta que exige a plenitude de tudo o que somos, por amor ao Senhor pelo que Ele é, não apenas pelo que Ele faz. Adoração vai além do nosso sentimento, ou das circunstâncias que estamos vivendo. Leva-nos a magnificente presença de Deus (1Cr 16.29); é alguma coisa que é vista pelos nosso atos e não apenas pelas palavras que falamos ou cantamos. Envolve o nosso coração, mente e vontade, é se dar totalmente, em toda verdade e honestidade, envolvendo e refletindo o amor e generosidade de Cristo.

4.1 Os verdadeiros adoradores. Jesus disse que Deus procura: "verdadeiros adoradores que adoram o Pai em espírito e em verdade" (Jo 4.23). Quem são os verdadeiros adoradores? Paulo afirmou que a verdadeira adoração é aquela que se oferece a Deus pelo Espírito, não confiando na carne mas gloriando-se em Cristo Jesus (Fp 3.3). Jesus citando Isaías 29.13, que menciona que os judeus religiosos ofereciam ao Senhor culto que não O agradava disse: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mc 7.6,7). Percebe-se então que adorar a Deus requer que, aquele que se aproxima do Senhor para adorá-lo, guarde-se de uma vida pecaminosa, indiferente aos Seus mandamentos, porquanto sua adoração será sem sentido; será uma falsa adoração, mesmo que os atos sejam perfeitos (Hb 10.22).

CONCLUSÃO

Um dos maiores privilégios do cristão é poder cultuar a Deus.  Enquanto muitos estão cultuando a imagens, anjos, demônios e ao próprio Diabo, nós temos o privilégio de cultuar e adorar ao Único e Verdadeiro Deus, o Criador de Todas as coisas. No entanto, devemos entender que o nosso culto, quer seja individual ou coletivo, deve ser oferecido a Ele com decência e ordem (Rm 12.1; 1Co 14.40). Que possamos, então, com todo fervor,  devoção e  reverência, oferecermos a Ele o nosso culto racional, quer seja individual ou coletivo, na certeza que, o desejo de Deus é que em nosso culto estejam presentes não apenas os elementos essenciais, tais como: oração, louvor, leitura bíblica, oferta e pregação, mas também, as manifestações sobrenaturais do Espírito Santo, através dos dons espirituais. 

REFERÊNCIAS

KLAUBER, M. O Caminho do Adorador. RJ: CPAD, 2005.

GILBERTO, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. RJ: CPAD, 2010.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995.

SHEDD, Russel P. Adoração Víblica. SP: Edições Vida Nova, 1991.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio da Língua portuguesa. CR, 2004.

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