O terceiro ponto de vista dessa escola afirma que a ressurreição das duas testemunhas retrata o arrebatamento da Igreja, pois elas ressuscitam na metade da Tribulação (Ap 11.3,11).

A passagem citada diz: “E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias vestidas de pano de saco [...] E, depois daqueles três dias e meio, o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre os pés, e caiu grande temor sobre os que viram”.
 
A vida e a morte das testemunhas não nos provam que esta é a ressurreição dos salvos que formam a Igreja - a Noiva de Cristo. Já vimos anteriormente que a Igreja não passará pela grande tribulação. Quanto as duas testemunhas, estas são personagens daquela época sombria, por isso elas serão mortas pelo anticristo: “E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará. E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado” (Ap 11.7-8). Ou seja, em Jerusalém.

Agora, leiamos o que Paulo escreve: “E, agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o ministério da injustiça opera; somente há um que, resiste até que do meio seja tirado; e, onde será revelado o Iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2Ts 2.6-8).
Sobre quem resiste a manifestação do Iníquo, já foi visto no comentário de número oito. Na passagem acima Paulo diz ‘que há um que resiste’ a manifestação do Iníquo. Enquanto esse restringidor não for removido o Dia do Senhor ou a Grande Tribulação que se principia com a manifestação da Besta, não acontece.
Sobre o momento da manifestação do Iníquo, Ciro Sanches (2008, p.513) argumenta: A única relação que temos retratada pelo próprio apóstolo Paulo, é que o povo de Deus será tirado do mundo no aparecimento de Jesus Cristo (Tt 2.13, 14; ITs 14.17). E, se é “depois disso” que será revelado o Iníquo (Gr. anomos, “transgressor”, “sem lei”, “desordeiro”, “subversivo”), então estamos diante de mais uma prova de que a Igreja não passará pela Grande Tribulação.
   
A passagem profética diz que o anticristo se manifesta no princípio da grande tribulação, que é a Septuagésima Semana da Daniel, como se lê em Daniel 9.27: “E ele [o anticristo] firmará um concerto com muitos por uma semana [a 70ª semana]; e, na metada da semana [três anos e meio depois que começar a 70ª semana], fará cessar o sacrfício e a oferta de manjares [...]” (grifo nosso). Ora, se o restringidor impede a manifestação do anticristo e este só se manifesta no princípio da grande tribulação, como poderia a Igreja ser arrebatada depois de três anos que a grande tribulação começar?
Os mesotribulacionistas dizem que as duas testemunhas representam a Igreja trasladada na metada dos sete anos, portanto, temos uma pergunta que não nos deixa calar: Se as duas testemunhas representam a Igreja arrebatada depois de três dias e meio, o que representa elas serem mortas e ressuscitadas, antes de serem arrebatadas?

TEOLOGIA SISTEMÁTICA PENTECOSTAL. Antônio Gilberto, Caudionor de Andrade, Ciro Sanches Zoborde, Elienai Cabral, Elinaldo Renovato, Ezequias Soares, Geremias do Couto, Severino Pedro da Silva. CPAD. Rio de Janeiro, RJ. 2008.