A escola miditribulacionista defende que a grande tribulação é composta apenas dos últimos três anos e meio da septuagésima semana de Dn 9.24-27, e a promessa de libertação da Igreja só se aplica a esse período (Ap 11.2; 12.6). Assim, para melhor entendermos esse pensamento vejamos o que está escrito nos textos defendidos pelos miditribulacionostas.

Em Apocalipse 11.2, diz: “E deixa o átrio que está fora do Templo e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a Cidade Santa por quarenta e dois meses”. E a pasagem em Ap 12.6 afirma: “E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias”.
A palavra grega para santuário em Apocalipse 11.2 é “naos”, e é usada no Novo Testamento para a Igreja, a verdadeira morada de Deus, em contraste com o Templo judaico, que se tornou obsoleto (1Co 3:16; 2Co 6:16; Ef 2:21). Para Ladd, “Não há, em princípio, nenhuma razão para não dizer que a medição do Templo representa simbolicamente a preservação da Igreja. Aqui, porém, o Templo, não está representado em primeiro plano como morada de Deus, mas como o templo dos judeus em Jerusalem”.
O expositor supracitado então afirma: “A chave para interpretarmos a pasagem é o que o pátio exterior e toda a cidade de Jerusalém são pisados pelos gentios. O significado mais natural de Jerusalém é que ela esteja em lugar do povo judeu”. Pois, “Quando Jesus disse que os gentios pisariam a cidade”, conforme o Evangelho e Lucas 21.24, o Senhor “estava falando de todo o povo” judeu. Ou melhor, esse pisar a cidade, predito pelo Senhor Jesus, não é uma referência à parte física de Jerusalém, porém, aos judeus em geral, que seriam pisados ou perseguidos e mortos pelos gentios por muitos séculos, como tem acontecido.
Contrastando a cidade toda com o santuário e seus adoradores, que são preservados, o contraste parece ser entre todo o povo judeu e um remanescente que adora a Deus em verdade. Historicamente todos os judeus tinham acesso ao pátio interno para participar do culto a Deus.  É óbvio, porém, que no nosso caso o santuário e os que nele adoram não podem representar todo o Israel, pois estão em contraste com o pátio exterior e a cidade, que representam a nação. Isto sugere um contraste entre um remanescente fiel de israelitas crentes, que adoram verdadeiramente a Deus, e a cidade como um todo (a cidade santa). Israel como um todo será pisado pelas nações; será julgado por Deus porque se tornou espiritualmrnte apóstata.

O versículo 8, onde Jerusalém é figuradamente chamada de “Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado”, sustenta este ponto de vista. Também em outras passagens da Escritura Jerusalém representa toda a nação (Sl 137: 5-6; Is 40: 1-2; Mt 23: 37) (2006, p.113). Portanto, esse “pisar” ou arremeter contra o átrio exterior e Jerusalém, na verdade tem a ver com Israel e não com a Igreja de Cristo. Sendo assim, insistimos na passagem já vista anteriormente que diz: “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra” (Ap 3.10). LADD, George Eldon. Apocalipse: Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica. Vida Nova: 2006, São Paulo.

Outro ponto de vista dessa escola afirma que a ressurreição das duas testemunhas retrata o arrebatamento da Igreja, pois elas ressuscitam na metade da Tribulação (Ap 11.3,11). A passagem citada diz: “E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias vestidas de pano de saco [...] E, depois daqueles três dias e meio, o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre os pés, e caiu grande temor sobre os que viram”.
 
A vida e a morte das testemunhas não nos provam que esta é a ressurreição dos salvos que formam a Igreja, a Noiva de Cristo. Já vimos anteriormente que a Igreja não passará pela grande tribulação. Quanto as duas testemunhas, estas são personagens daquela época sombria, por isso elas serão mortas pelo anticristo: “E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará. E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado” (Ap 11.7-8). Ou seja, em Jerusalém. Agora, leiamos o que Paulo escreve: “E, agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o ministério da injustiça opera; somente há um que, resiste até que do meio seja tirado; e, onde será revelado o Iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2Ts 2.6-8).
Na passagem acima Paulo diz ‘que há um que resiste’ a manifestação do Iníquo. Enquanto esse restringidor não for removido o Dia do Senhor ou a Grande Tribulação que se principia com a manifestação da Besta, não acontece.

Sobre o momento da manifestação do Iníquo, Ciro Sanches (2008, p.513) argumenta: A única relação que temos retratada pelo próprio apóstolo Paulo, é que o povo de Deus será tirado do mundo no aparecimento de Jesus Cristo (Tt 2.13, 14; ITs 14.17). E, se é “depois disso” que será revelado o Iníquo (Gr. anomos, “transgressor”, “sem lei”, “desordeiro”, “subversivo”), então estamos diante de mais uma prova de que a Igreja não passará pela Grande Tribulação.
   
A passagem profética diz que o anticristo se manifesta no princípio da grande tribulação, que é a Septuagésima Semana da Daniel, como se lê em Daniel 9.27: “E ele [o anticristo] firmará um concerto com muitos por uma semana [a 70ª semana]; e, na metada da semana [três anos e meio depois que começar a 70ª semana], fará cessar o sacrfício e a oferta de manjares [...]” (grifo nosso). Ora, se o restringidor impede a manifestação do anticristo e este só se manifesta no princípio da grande tribulação, como poderia a Igreja ser arrebatada depois de três anos que a grande tribulação começar?
Os mesotribulacionistas dizem que as duas testemunhas representam a Igreja trasladada na metada dos sete anos, portanto, temos uma pergunta que não nos deixa calar: Se as duas testemunhas representam a Igreja arrebatada depois de três dias e meio, o que representa elas serem mortas e ressuscitadas, antes de serem arrebatadas? (TEOLOGIA SISTEMÁTICA PENTECOSTAL. Antônio Gilberto, Caudionor de Andrade, Ciro Sanches Zoborde, Elienai Cabral, Elinaldo Renovato, Ezequias Soares, Geremias do Couto, Severino Pedro da Silva. CPAD. Rio de Janeiro, RJ. 2008.)

Extraído da obra: A Grande Tribulação: palco do anticristo (2014, p.24-26), do Prof. Saulo Soares da Silva. Bereia Editora.