A República de Guiné Bissau é uma pequena nação localizada na região da África Ocidental e é caracterizada por ter parte do seu território no continente e outra parte num contingente de 80 ilhas.

Essa nação tem em seu recente registro histórico uma traumática e longa guerra civil, resultante de sua luta pela conquista da independência dos colonos portugueses. Esse conflito devastou o seu povo, dizimando muitas vidas. 

Guiné Bissau compõe a lista de um dos países mais pobres do mundo, devido ao seu pouco desenvolvimento econômico e recuperação social pós guerra. Está inserido na “Janela 10/40” – Este termo é usado pelos estudiosos de missiologia, onde localizam a região que corresponde a 62 países, entre as latitudes de 10 e 40 graus no norte da linha do Equador, ao Hemisfério Oriental, cobrindo o norte da África, Oriente Médio e Ásia. É justamente nessa região que se encontram os maiores desafios para evangelização no mundo devido a extrema pobreza, as guerras e aos embates espirituais. A “Janela 10/40” também é conhecida como o “Cinturão de Resistência”, pois aí estão localizados os governantes e as religiões que mais se opõem ao cristianismo, promovendo os maiores relatos de perseguição na atualidade à igreja do Senhor. É justamente neste contexto socioeconômico e religioso que o Senhor tem levantado a Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco, presidida pelo Pr. Ailton José Alves para proclamar as Boas Novas aos perdidos.

A família missionária enviada pela nossa Igreja, a saber: Pb. Nelson da Costa, missionária Mísia da Costa e seus filhos: Sara (16 anos) e Caleb (13 anos) estão desenvolvendo o trabalho evangelístico entre os guineenses que hoje são uma população de 1,7 milhões habitantes, encontrados em mais de 27 grupos étnicos, falando aproximadamente 35 dialetos ali existentes, além do idioma português que é a língua oficial. Estima-se que esta população esteja subdividida em 52,5% de mulçumanos, 35,1% animista (religiões africanas) e somente 10,9% confessando o cristianismo, no entanto, apenas a mínima parte desses, 1,3% é evangélica.

Convicta de sua chamada (relatada no Jornal ADNEWS Jan/2017), a missionária Mísia casou-se com o irmão Nelson, ele é guineense da tribo Bijagô. Pois, ela sabia que Deus já havia lhe  mostrado o povo que ela deveria servir, dizendo-lhe que a enviaria para pregar o evangelho entre aquele povo. Por isso, ela tratou de aprender o kriol, dialeto falado por mais de 50% da população, onde somente 14% da população fala o português. 

Na época em que a missionária Mísia chegou a Guiné Bissau não havia escolas ou cursos para o aprendizado formal desse dialeto, então era necessário escutar, interagir e conviver com as pessoas, até aprender aquela nova língua. Após um longo período de observação, a missionária nos relatou que: “Certo dia, numa reunião de oração, quando me foi dada a oportunidade para orar, sem que eu tivesse programado, eu fechei os olhos e comecei a orar em kriol. Na mesma hora, os irmãos abriram os olhos admirados enquanto eu fazia toda a oração naquele dialeto, ficamos todos surpresos e alegres – daí por diante eu já não sentia medo ou vergonha, comecei a me comunicar fluentemente naquele dialeto, para a glória de Deus”. Essa foi a primeira vez que a missionária havia tentado falar em kriol. O aprendizado e o domínio desse dialeto facilitou o avanço da obra naquela nação que já conta com 20 anos de trabalho missionário desenvolvido pela nossa Igreja.

ILHA URACANE

A ilha Uracane foi aonde o trabalho missionário teve o seu início, pois, foi nessa localidade que o Senhor indicou para que os missionários estabelecessem os primeiros passos da Obra Missionária. Esta pequena ilha possui apenas seis aldeias. Quando os missionários ali chegaram não havia presença influente nem católica e nem muçulmana. Havia apenas a presença maciça da religião animista (práticas de feitiçaria e crendices africanas), que é a tradição da etnia bijagô. Porém, após um árduo empenho dos missionários em favor daquelas vidas, três aldeias, a saber: Porto, Ankadjo e Eguba, já contam com a presença da nossa igreja, possuindo templos próprios e obreiros que cuidam do trabalho. O Senhor tem confirmado a Sua obra com salvação e libertação de vidas. As outras três aldeias restantes, a saber: Ankumbo, Ankopate e Bruce, já possuem crentes que foram evangelizados pelos novos irmãos, mas ainda não há templos e nem obreiros que possam atender o trabalho ali. Oremos para que o Senhor levante obreiros para a sua Obra. Os irmãos das aldeias que ainda não tem templos nossos, andam quilômetros para assistirem o culto na aldeia mais próxima ou esperam para receber as visitas periódicas dos nossos irmãos e obreiros.

PROJETO SOCIAL

Devido a precariedade educacional enfrentada em Guiné Bissau, na ilha só havia uma escola, e esta por sua vez oferecia apenas a educação para o ensino fundamental 1, ou seja, somente até o 5º ano. Desta forma, os jovens da ilha Uracane, depois de transformados pelo Evangelho, manifestavam o desejo de continuar os estudos e por isso se sentiam obrigados a se mudarem para o continente, onde poderiam ter mais oportunidade na vida. Isso de certa forma estava afetando o trabalho missionário, pois, esses jovens representavam uma força para a evangelização nas aldeias e pelo contínuo aprendizado através da Palavra, representavam também uma motivação à maturação do trabalho. Por isso, debaixo da aprovação divina e orientação pastoral do nosso amado Pastor Presidente Ailton José Alves, no ano de 2007 foi dada o inicio das atividades da nossa escola que recebeu o nome de Escola Evangélica Maranata que oferece o ensino para o fundamental 1 e 2, ou seja,  indo até ao 9º ano. 

Essa iniciativa social tem sido uma bênção para a igreja, pois, os missionários têm evangelizado e mantido muitos jovens próximos a Igreja, como também esse benefício trouxe oportunidade para a comunidade local, promovendo desenvolvimento social aos menos privilegiados. Além da escola, a Missão mantém um projeto de nutrição que consiste em oferecer uma refeição às crianças que frequentam a nossa Escola Bíblica Dominical. Através desse projeto, a estratégia de evangelismo foi estabelecida, pois todas as reuniões de pais e comemorações que envolvem datas como o Natal e a Páscoa são feitas dentro do templo de nossa igreja, isso faz com que pais não crentes, muçulmanos e até mesmo os animistas, entrem num templo evangélico, e ouçam a pregação da Palavra. Isso, não aconteceria de outra forma. 

AVANÇO NA CAPITAL

Após o estabelecimento do trabalho missionário na ilha Uracane, foi dado início ao trabalho em Bissau, capital do país, pois Deus já havia confirmado que era o tempo para a jovem igreja missionária alargar as fronteiras, além da ilha de Uracane.  O trabalho na capital teve seu início com as reuniões na residência dos missionários e com os crentes advindos da ilha que já eram membros da Igreja, em sua maioria, jovens bijagôs que tinham ido estudar em Bissau. 

Assim, o trabalho que começou com 15 irmãos, hoje se encontra num templo alugado, onde está sede da missão e segue o modelo que foi implantado na da ilha Uracane. Desta forma, foi dado início a duas classes pré-escolar que funciona como uma ferramenta de alcance às famílias muçulmanas, que por manterem seus filhos no projeto da igreja, podem receber alguns benefícios (material escolar, e lanche), e a partir disso, os missionários tem acesso aos pais, visitando-os em seus lares e eles, de bom grado têm tido a oportunidade de ouvir a Palavra de Deus. 

EXPANSÃO DO TRABALHO A CASSALOTE

No final do ano de 2014 foi dado inicio ao trabalho evangelístico na Aldeia de Cassalote, uma localidade ao norte do país, que dista 50 km da capital, Bissau. O missionário Nelson descreveu aquela experiência da seguinte forma: “...Quando iniciamos aquele trabalho não havia a presença de nenhuma igreja naquela comunidade. Hoje, graças a Deus, a Missão já adquiriu um terreno com 10.000m2 e já temos um templo levantado e uma casa para obreiro local, toda construção ainda está em fase de acabamento”. Assim, a Missão em Guiné Bissau conta hoje com 05 congregações, sendo 03 congregações na ilha e 02 no continente, com as seguintes atividades: 

  • Aos domingos pela manhã: Escola Bíblica Dominical;
  • Aos domingos à tarde: Evangelismo Pessoal;
  • os domingos à noite: Cultos Evangelísticos;
  • As terças-feiras: Círculos de Oração;
  • As quartas-feiras: Cultos de Oração;
  • As quintas-feiras: Cultos de Doutrina;
  • Aos sábados: Consagração / Ensaios a Tarde.

DESAFIOS NO CAMPO DE MISSÕES

A Obra Missionária em Guiné Bissau é constituída de muitos desafios, porém o Senhor tem abençoado a Missão, confirmando o avanço daquele trabalho. Enumeraremos alguns desafios para que possamos orar especificamente: 

  1. A instabilidade política em Guiné Bissau promove insegurança entre os estrangeiros e a população local sempre se sente ameaçada por uma eminente guerra;
  2. A corrupção é um problema de ordem estrutural e isto traz dificuldade para o investimento financeiro internacional para a nação;
  3. A precariedade econômica afeta diretamente as áreas da educação da saúde, dificultando a estadia do missionário em se manter nessa nação por um longo período. A falta de escola para seus filhos e a impossibilidade de atendimento médico adequado tem afugentado muitos missionários;
  4. A pobreza extrema tem levado muitos a participar do narcotráfico existente entre Colômbia e Europa, fazendo de Guiné Bissau uma ponte para esse tipo de crime;
  5. As obras de feitiçaria e as superstições africanas afetam diretamente a vida de muitos cristãos e desafiam constantemente a fé de muitos;
  6. O crescimento do Islamismo é notório. Atualmente há um alto investimento nas missões islâmicas, feito principalmente por nações ricas do Oriente Médio;
  7. A região rural de Guiné Bissau que constitui a maior parte de todo o território precisa ser alcançado pelo Evangelho – É alarmante o número dos que morrem sem conhecer a Jesus;
  8. Há uma necessidade urgente de pessoas que se disponibilizem a servir ao Senhor naquela nação. 

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